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A ergonomia no eSocial

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A ergonomia no eSocial

Saiba definir quais exigências ergonômicas do trabalho se constituem em risco.

O eSocial está chegando e, com ele, a grande demanda é para que sejam informadas as condições de exposição de cada trabalhador a fatores de possível adoecimento, inclusive por questões ergonômicas. O Manual de Orientação do eSocial, em sua versão 2.1, no anexo III, apresenta os fatores a serem avaliados e informados pela empresa (ver Quadro, Questões ergonômicas no eSocial).

 

Quadro Questões ergonômicas no eSocial
E1 biomecânicos
E1.1 Imposição de ritmos excessivos
E 1.2 Esforço fisicio intenso
E 1.3 Levantamento e transporte manual de peso
E 1.4 Exigência de postura inadequada
E 1.5 Trabalho em exposição a monitores de vídeo
E 1.6 Outros
E2 Organizacionais, inclusive psicossociais
E 2.1 Trabalho em turno e noturno
E 2.2 Monotonia e repetitividade
E 2.3 Situações de estresse
E 2.4 Controle rigido de produtividade
E 2.5 Outros

 

Neste artigo e nos próximos orientaremos os leitores sobre o que colocar e o que não colocar no eSocial. A base do critério a ser aqui apresentado é a noção de que somente devem ser colocados os trabalhadores expostos a risco ergonômico naqueles fatores específicos. Isso equivale a dizer que não devem ser incluídas as situações em que o trabalhador está exposto a exigências, mas que esteja em trabalho seguro. Assim, o desafio para o praticante
da ergonomia que irá orientar a empresa quanto ao preenchimento do eSocial é definir o que se constitui em trabalho seguro e o que caracteriza o risco ergonômico.

RECONHECIMENTO

Pergunta comum: o simples fato de trabalhar com alguma das situações apresentadas no Quadro "Questões ergonômicas no eSocial" já caracteriza a necessidade de ser citado no eSocial daquele trabalhador? A resposta é "não".

É importante identificar que muitas vezes trabalha-se com exigências ergonômicas que não constituem em risco. Por exemplo, movimentar uma transpaleteira manual envolve esforço fisico, mas que nem sempre é intenso. Outro exemplo: trabalhar em atividade repetitiva pode não caracterizar repetição patogênica. Ou seja, pode haver exigência ergonômica sem haver risco ergonômico.

Para orientar bem a empresa, o profissional da ergonomia deve ter um profundo conhecimento cientifico das questões levantadas no eSocial e, repetindo,deve informar quando um trabalhador está exposto àquela situação somente quando houver risco.

Qualquer erro, para qualquer um dos dois lados, poderá ter consequências.

DinamômetroUm grande grupo de exigências do trabalho se refere a movimentar carrinho, puxar e tracionar transpaleteiras. Para avaliar se essa é uma atividade segura, a ferramenta mais prática nessas situações é a medida da intensidade da força com dinamômetro (foto) e a classificação desse esforço segundo as tabelas da Liberty Mutual. Essas tabelas foram desenvolvidas por meio de estudos detalhados feitos por Snook e Cirielo nos anos 1990 nos laboratórios de ergonomia da Liberty, nos Estados Unidos, e representam um guia internacionalmente aceito para orientar sobre o aproveitamento da capacidade das pessoas.

Um vez obtida a intensidade do esforço necessário para executar a tarefa (especialmente o esforço em pico), o valor é levado até as tabelas da Liberty Mutual, obtendo-se a porcentagem de capazes. Caso o esforço possa ser feito por 90% dos homens e 75% das mulheres, não há risco nessa exigência. Caso o número de mulheres capazes seja menor que 50%, classifica-se como situação de risco. E ainda mais, se menos que 25% dos homens forem capazes de realizar o esforço, caracteriza-se alto risco ergonômico.

A porcentagem de capazes pode ser obtida por análise direta no site Liberty Mutual.

ESTUDO DE CASO

Ao ter que empurrar um pallet de 1.040kg de celulose sobre roletes não motorizados, o trabalhador teve que fazer uma força de 21 kg para retirá-lo da inércia. Consultando as tabelas da Liberty pelo site indicado, verificou-se que mais de 90% dos homens e 88% das mulheres são capazes de fazer a tarefa, ou seja, não há risco ergonômico.

No entanto, segundo o mix de produção, em alguns dias do mês, o peso do pallet era de 1.600 kg, o que exigia um esforço para retirada da inércia de 38 kg. Nessa situação, a porcentagem de capazes é de 60% da população trabalhadora masculina e menos de 10% da população trabalhadora feminina, caracterizando risco ergonômico. Assim, na documentação do eSocial de todos os trabalhadores envolvidos teria que ser anotado o item E 1.2 (esforços fisicos intensos). Quando a empresa instalar a motorização dos roletes e o esforço desaparecer, interrompe-se a informação desse item na documentação do eSocial daqueles trabalhadores. 

Fonte: Revista Proteção
Autor: Hudson de Araújo Couto – Médico do trabalho, doutor em administração, coordenador do curso de pós-graduação em Medicina do Trabalho e Consultor de empresas.

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